A UNESCO abriu uma consulta internacional sobre os impactos da inteligência artificial nos sistemas educacionais. A iniciativa foi divulgada em 9 de outubro de 2026, com a publicação do documento de discussão Sustaining education as a common good in the age of AI: The case for deliberative governance. O prazo informado para o envio de contribuições termina em 15 de outubro.
A chamada é direcionada a especialistas, pesquisadores, gestores públicos, representantes de instituições de ensino e demais interessados no futuro da educação. A proposta é reunir diferentes perspectivas sobre como a inteligência artificial deve ser governada para que a educação continue sendo tratada como um bem comum, com atenção à autonomia dos sistemas de ensino, à equidade e aos riscos associados à adoção acelerada dessas tecnologias.
Consulta debate impactos da inteligência artificial
Segundo a UNESCO, as contribuições serão utilizadas como base para a elaboração de informes e recomendações. Esses materiais deverão ser apresentados durante a Semana da Aprendizagem Digital de 2027, em uma etapa posterior da agenda internacional da organização sobre inteligência artificial e educação.
O debate envolve questões que já fazem parte da rotina de escolas, universidades e órgãos públicos. Entre elas estão o uso de sistemas automatizados em avaliações, a proteção de dados de estudantes e professores, as diferenças de acesso às ferramentas digitais e a preparação dos profissionais da educação para trabalhar em um cenário de rápida transformação tecnológica.
A consulta também coloca em discussão o controle humano sobre decisões educacionais mediadas por sistemas de inteligência artificial. Para instituições de ensino, isso significa avaliar não apenas os possíveis ganhos de eficiência, mas também os efeitos dessas ferramentas sobre a autonomia acadêmica, a transparência dos processos e a igualdade de oportunidades entre estudantes.
Governança envolve escolas, universidades e governos
A escolha da educação como foco de uma discussão global reflete a variedade de contextos em que a inteligência artificial pode ser aplicada. Escolas podem utilizar recursos automatizados em atividades pedagógicas, enquanto universidades lidam com mudanças na avaliação, na produção científica, na gestão acadêmica e na formação profissional. Órgãos públicos, por sua vez, precisam considerar como políticas educacionais podem acompanhar a inovação sem ampliar desigualdades.
O documento da UNESCO não se limita a uma análise técnica das ferramentas. A consulta propõe uma reflexão sobre os princípios que devem orientar sua adoção e sobre a responsabilidade das instituições diante de decisões que afetam trajetórias educacionais. Nesse contexto, a governança aparece como um processo que depende da participação de diferentes setores e da análise das consequências sociais da tecnologia.
Para o ensino superior, o tema é especialmente relevante porque a expansão da inteligência artificial interfere em atividades como avaliação de trabalhos, acompanhamento da aprendizagem e desenvolvimento de competências profissionais. A discussão internacional pode ajudar universidades e pesquisadores a identificar desafios comuns, embora a pauta da consulta não estabeleça recomendações específicas para o Brasil.
Webinar do UNESCO IITE tratará de avaliação
A agenda também inclui uma atividade do Instituto da UNESCO para Tecnologias da Informação na Educação, conhecido como UNESCO IITE. De acordo com a página de anúncios do UNESCO IITE, está previsto para 27 de outubro de 2026 um webinar sobre avaliação no ensino superior em um contexto marcado pela expansão da inteligência artificial e das tecnologias digitais.
O encontro amplia a discussão iniciada pela consulta ao abordar um dos pontos mais sensíveis para universidades: como avaliar a aprendizagem quando estudantes e professores têm acesso crescente a sistemas capazes de produzir textos, respostas e outros conteúdos. A atividade está inserida no mesmo cenário de revisão de práticas acadêmicas provocado pelo avanço das tecnologias digitais.
As datas divulgadas pela UNESCO indicam, portanto, duas etapas próximas. A primeira é o recebimento de contribuições até 15 de outubro de 2026. A segunda é o webinar do UNESCO IITE, marcado para 27 de outubro, que concentra a atenção na avaliação do ensino superior.
Participação busca orientar próximos debates
Ao abrir a consulta, a UNESCO convida a comunidade educacional internacional a participar de uma discussão que ultrapassa a escolha de ferramentas. O foco está em definir condições para que a inteligência artificial seja incorporada aos sistemas de ensino com responsabilidade, preservando direitos, autonomia institucional e acesso equitativo.
As contribuições recebidas deverão alimentar os próximos informes e recomendações da organização. Para estudantes, professores, pesquisadores e gestores, a iniciativa representa uma oportunidade de acompanhar como instituições internacionais estão tratando os efeitos da inteligência artificial sobre a educação e quais questões devem permanecer no centro das políticas públicas e das decisões acadêmicas.
