Triagem visual gratuita em escolas públicas: como o Projeto Visão em Dia estruturou um modelo de atendimento itinerante

Diego Velázquez
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Franco Douglas Lima Dias

Um dos aspectos mais relevantes de iniciativas de saúde preventiva voltadas à população escolar é a capacidade de operar de forma consistente fora do ambiente convencional das clínicas e hospitais. O Projeto Visão em Dia, programa do Instituto Visão Conectada criado por Franco Douglas Lima Dias, desenvolveu ao longo de sua trajetória um modelo de atendimento itinerante que leva triagem oftalmológica e doação de óculos diretamente às escolas públicas, sem exigir deslocamento, agendamento prévio ou qualquer custo das famílias atendidas.

O formato itinerante não é novo no campo da saúde pública, mas sua aplicação à saúde ocular infantil dentro das escolas ainda é rara no Brasil. O programa identificou nessa lacuna o espaço para construir uma estrutura que, ao longo de mais de 5 mil atendimentos realizados em 18 unidades de ensino, provou ser capaz de alcançar um público que dificilmente chegaria a esse tipo de serviço por qualquer outro caminho disponível.

A consistência do modelo ao longo dos ciclos de atuação é o que transforma uma ação pontual em algo com efeito acumulado.

O que caracteriza um modelo de atendimento itinerante em saúde ocular?

Um serviço de saúde ocular itinerante opera com equipe e equipamentos que se deslocam até o local onde o público está, em vez de esperar que esse público venha até uma unidade fixa. No caso do Projeto Visão em Dia, isso significa chegar à escola com tudo o que é necessário para realizar triagens individualizadas e entregar a correção visual adequada na mesma visita.

Conforme detalha a estrutura do Instituto Visão Conectada, o modelo exige planejamento logístico e equipamentos específicos para diagnósticos que vão além da triagem básica de acuidade visual. A identificação de condições como o ceratocone, doença degenerativa da córnea diagnosticada em alunos da APAE de Ferraz de Vasconcelos durante uma das ações do programa, depende de instrumentos que uma triagem simples não comporta. A escolha de incluir esse nível de avaliação no modelo reflete o entendimento de Franco Douglas Lima Dias sobre o que uma triagem escolar precisa ser capaz de encontrar.

Quais são as vantagens do atendimento dentro da escola em relação ao modelo convencional?

O atendimento dentro da escola elimina as principais barreiras que separam uma família de baixa renda de uma consulta oftalmológica especializada. Não há custo de transporte, não há necessidade de tirar dia de trabalho, não há tempo de espera por agendamento e não há exigência de documentação ou cadastro prévio. A criança está na escola, a equipe chega à escola e o atendimento acontece no mesmo ambiente que a criança frequenta diariamente.

Franco Douglas Lima Dias
Franco Douglas Lima Dias

Para as famílias atendidas pelo Projeto Visão em Dia, essa diferença é concreta. A diretora da APAE de Ferraz de Vasconcelos, Lara Benute, foi direta ao descrever o perfil dos alunos beneficiados: todos sem condições financeiras de pagar uma consulta. Sem o programa, aquele atendimento simplesmente não teria acontecido.

Como o modelo garante que o diagnóstico se traduza em correção efetiva?

A integração entre triagem e entrega de óculos em uma mesma ação é o mecanismo que garante que o diagnóstico não fique sem resposta. Em modelos onde o exame e a correção são etapas separadas, há um risco real de que a família não consiga completar o processo: o transporte até a segunda etapa pode ser inviável, o prazo pode não ser cumprido ou os recursos para adquirir os óculos podem não estar disponíveis.

O Projeto Visão em Dia, conforme pondera Franco Douglas Lima Dias ao descrever a lógica do programa, foi estruturado para que isso não aconteça. O diagnóstico e a entrega ocorrem no mesmo momento, no mesmo lugar, sem etapas intermediárias que possam ser perdidas no caminho.

Quais adaptações o modelo exigiu ao chegar à APAE?

A expansão do Projeto Visão em Dia para a APAE de Ferraz de Vasconcelos exigiu adaptações na abordagem do atendimento. O público de uma instituição especializada para pessoas com deficiência intelectual e múltipla tem características específicas que demandam atenção diferenciada: dificuldade de comunicar sintomas, menor capacidade de colaborar com procedimentos convencionais de triagem e necessidade de uma equipe preparada para conduzir o atendimento de forma adaptada.

O programa chegou à APAE com essa compreensão e realizou 18 avaliações individualizadas, identificando, entre os casos, dois diagnósticos de ceratocone que não tinham nenhum registro anterior. Na avaliação de Franco Douglas Lima Dias, a chegada a instituições como a APAE é uma extensão natural do propósito original do programa: alcançar quem mais precisa, independentemente do ambiente em que estuda.

O que o modelo itinerante do Visão em Dia revela sobre saúde preventiva?

A experiência acumulada pelo Instituto Visão Conectada ao longo de mais de 5 mil atendimentos oferece um argumento prático sobre o que um modelo de saúde preventiva precisa ser capaz de fazer: ir até onde a demanda está, operar com estrutura suficiente para produzir diagnósticos de qualidade e garantir que a intervenção seja completa antes de ir embora.

Segundo informações sobre a iniciativa, Franco Douglas Lima Dias tem como objetivo continuar expandindo o alcance do programa para novas unidades de ensino e instituições. O modelo itinerante desenvolvido pelo Visão em Dia é, nesse sentido, tanto uma resposta ao problema atual quanto uma demonstração do que é possível construir quando a estrutura e o propósito estão alinhados.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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