O Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério da Educação (MEC) apresentaram, em 22 de setembro de 2026, um edital voltado à aproximação entre universidades, escolas públicas e comunidades detentoras de conhecimentos tradicionais. A iniciativa, chamada Ciclos de Saberes e Conhecimentos Tradicionais e Populares com Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e das Artes, prevê a seleção de projetos de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).
As inscrições começaram em 25 de setembro de 2026. De acordo com o Ministério da Cultura, a proposta é estimular a circulação, a transmissão e o reconhecimento de conhecimentos ligados às culturas tradicionais, populares e às artes no ambiente educacional.
Projetos deverão articular ensino, pesquisa e extensão
O edital busca inserir esses saberes em atividades de ensino, pesquisa e extensão, reconhecendo mestras e mestres como agentes de formação. A medida amplia a participação de pessoas que produzem e preservam conhecimentos em seus territórios, permitindo que suas experiências dialoguem com a formação oferecida pelas instituições federais de ensino superior.
Na prática, a proposta conecta a universidade a comunidades que mantêm tradições, práticas culturais e formas próprias de transmissão de conhecimento. O objetivo apresentado pelo governo federal não é tratar essas manifestações apenas como atividades culturais isoladas, mas estimular sua presença em processos educativos e acadêmicos, com atenção à continuidade entre diferentes gerações.
A iniciativa também contempla a educação básica. Os projetos deverão contribuir para que os conhecimentos tradicionais circulem em escolas públicas e nos territórios de origem das comunidades. Com isso, a chamada pública relaciona a atuação das universidades federais à formação de estudantes da educação básica e à valorização de referências culturais presentes em diferentes regiões do Brasil.
Política cultural nas instituições públicas de ensino superior
O anúncio foi realizado durante uma reunião da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em Brasília. Na mesma ocasião, MinC e MEC anunciaram o Observatório de Políticas e Gestão de Cultura nas Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES), estrutura que deverá reunir informações sobre a presença e a organização das políticas culturais nessas instituições.
O observatório será desenvolvido por meio de uma parceria entre órgãos do Ministério da Cultura, a Secretaria de Educação Superior do MEC e o Fórum de Gestão Cultural das Instituições Públicas de Ensino Superior Brasileiras (Forcult). A previsão é que a estrutura produza dados, pesquisas e indicadores capazes de apoiar o acompanhamento das ações culturais em universidades e outras instituições públicas de ensino superior.
Entre as atividades previstas estão o mapeamento de grupos artísticos, espaços culturais, equipamentos e cursos de formação em arte e cultura. Esse levantamento poderá oferecer um panorama da infraestrutura e das iniciativas existentes nas instituições públicas, além de apoiar o planejamento de políticas voltadas à cultura no ensino superior.
Extensão aproxima universidades e comunidades
O edital coloca a extensão universitária no centro da relação entre conhecimento acadêmico e saberes comunitários. Ao incentivar projetos construídos com mestras e mestres das culturas tradicionais e das artes, a chamada reconhece que a formação também ocorre fora dos espaços convencionais de ensino e pesquisa.
Essa abordagem pode interessar a estudantes, professores, pesquisadores, gestores universitários e profissionais da educação básica. Também alcança comunidades tradicionais e grupos culturais interessados em estabelecer relações institucionais com universidades públicas, desde que participem de projetos apresentados no âmbito da chamada pelas instituições habilitadas.
O Acordo de Cooperação Técnica entre MinC e MEC também integra o contexto da articulação entre as áreas de cultura e educação. A cooperação reforça a busca por ações que aproximem instituições federais de ensino superior, políticas de transmissão de saberes tradicionais e comunidades.
Com o edital e o anúncio do observatório, os ministérios sinalizam uma frente de atuação que combina valorização cultural, formação acadêmica e relação com os territórios. O resultado esperado é ampliar os espaços de reconhecimento e transmissão de conhecimentos tradicionais dentro das universidades, nas escolas públicas e nas comunidades onde esses saberes são preservados.
