Pesquisa da UFMG relaciona uso de aplicativos de delivery a maior sedentarismo

Redação Campus Notícias
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Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) relacionou o uso de aplicativos de entrega de alimentos a maiores níveis de comportamento sedentário entre adultos brasileiros. O estudo analisou informações de 839 participantes e também investigou a frequência de pedidos de diferentes tipos de alimentos por meio das plataformas digitais.

Os resultados foram divulgados pela Universidade Federal de Minas Gerais em 17 de setembro de 2026. A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Food Sciences and Nutrition e utilizou dados do projeto Coorte de Universidades Mineiras (Cume+).

Uso de delivery aparece associado ao tempo sentado

De acordo com os dados apresentados pela universidade, 76,52% dos participantes afirmaram já ter utilizado aplicativos de entrega de alimentos. Entre eles, 27,1% relataram fazer pedidos pelo menos uma vez por semana, frequência considerada regular na análise divulgada pela UFMG.

A relação mais destacada pelos pesquisadores envolve o tempo que os participantes permaneciam sentados ao longo do dia. Pessoas que declararam ficar sentadas por oito horas ou mais apresentaram o dobro da prevalência de uso regular dos aplicativos quando comparadas àquelas que permaneciam sentadas por até três horas.

O resultado indica uma associação entre a utilização frequente das plataformas e um cotidiano com mais tempo em atividades sedentárias. A pesquisa, entretanto, trata de uma relação observada entre os comportamentos analisados, e não de uma comprovação de que os aplicativos, isoladamente, sejam responsáveis pelo sedentarismo dos usuários.

Refeições completas e lanches estão entre os pedidos

O levantamento também examinou quais tipos de alimentos eram solicitados pelos usuários frequentes. Entre essas pessoas, 51,7% disseram pedir refeições completas em pelo menos metade das vezes. Já 39,7% relataram solicitar com a mesma frequência lanches como hambúrgueres, pizzas e salgados.

Os números ajudam a descrever como o delivery participa da rotina alimentar dos entrevistados, mas não permitem concluir que todos os pedidos realizados pelas plataformas tenham o mesmo perfil nutricional. A própria variedade de estabelecimentos e preparações disponíveis nos aplicativos torna o ambiente digital diversificado, embora os dados mostrem maior presença de refeições prontas e lanches entre os pedidos analisados.

Baixa procura por frutas e saladas

Segundo a pesquisa, os alimentos frescos apareceram com menor frequência nas escolhas informadas pelos participantes. Cerca de 92% afirmaram que raramente pediam frutas ou saladas de frutas por meio dos aplicativos. Além disso, 67,8% relataram baixa frequência de pedidos de saladas, vegetais e preparações feitas com alimentos frescos ou minimamente processados.

Esse padrão foi considerado pelos pesquisadores um aspecto relevante para a discussão sobre ambientes alimentares. As plataformas digitais não apenas facilitam a compra de refeições, mas também organizam a forma como os consumidores visualizam opções, escolhem estabelecimentos e recebem os alimentos em casa ou no trabalho.

Digitalização do consumo entra no debate de saúde pública

Para além das decisões individuais, o estudo da UFMG propõe que o varejo digital de alimentos seja incluído em debates sobre vigilância nutricional e prevenção de doenças crônicas. A expansão dos aplicativos transforma a relação entre consumidores, restaurantes e produtos alimentícios, criando novas formas de acesso e exposição às opções disponíveis.

Nesse contexto, compreender os hábitos associados ao delivery pode contribuir para políticas e estratégias de promoção da saúde que considerem as condições concretas da vida cotidiana. A análise do tempo sentado, da frequência de pedidos e dos tipos de alimentos escolhidos oferece elementos para acompanhar mudanças no comportamento alimentar em um cenário cada vez mais mediado por tecnologias digitais.

A pesquisa também reforça a importância da produção científica das universidades brasileiras para investigar fenômenos recentes que atravessam tecnologia, alimentação e saúde. Ao analisar dados de adultos participantes do Cume+, o trabalho amplia a discussão sobre os efeitos sociais e comportamentais da digitalização do consumo, sem atribuir aos usuários, individualmente, a responsabilidade exclusiva pelos padrões identificados.

Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais.

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